POSSÍVEIS RUÍNAS PRÉ-COLOMBIANAS EM NATIVIDADE DA SERRA - ATUALIZAÇÃO
Em 2011 surgiu na internet a "especulação" de que alguns traços de estruturas complexas, supostas ruínas de uma antiga construção, tivessem sido encontradas na cidade de Natividade da Serra no interior de São Paulo.
Na época, Carlos Pérez Gomar, arquiteto formado pela FAU UFRJ em 1972 e pela Universidade da Republica (Uruguai) em 1989, interessou-se pelo caso, haja vistas seu extenso trabalho na análise dos mistérios que cercam a Pedra da Gávea, e partiu em uma investigação de campo, na busca por maiores detalhes e evidências das supostas estruturas.
O incrível resultado desta investida, pode ser acompanhado no blog:
Compartilhamos abaixo o relatório atualizado das desconsertantes descobertas.
A possível ruina pré-colombiana em Palmeiras, Natividade da Serra , SP.
Este assunto poderia se enquadrar no âmbito das lendárias ruinas de cidades perdidas no Brasil. No entanto há cidades, e conjuntos cerimoniais menores, o que aqui parece ser o caso. Quanto a grandes cidades perdidas esperando por alguém acha-las nos sertões brasileiros, é preciso raciocinar algumas coisas. Se por ventura existir alguma cidade pré-colombiana no Brasil, ela é anterior a ocupação dos territórios pela tribos guaranis, no mínimo. Estas cidades ou povoações, fossem lá de quem pudessem ser, teriam forçosamente que estar soterradas, pelos 1500 ou 2000 que passaram. Portanto é muito mais viável admitir que haja ruinas, e não cidades, onde os aventureiros entram e tudo está em ordem e pouco soterrado, como e o caso da cidade do manuscrito 512, a cidade perdida do Sincorá. Uma cidade perdida para ainda ser identificável nas condições geográficas e ambientais nossas, no máximo poderia suportar 500 anos sem desaparecer baixo a vegetação ou destruída pelas raízes das árvores. Tal foi o caso de Machu Pichu, no Peru, que era reconhecível em 1911 porque havia sido abandonada menos de 400 anos antes. Cidades que outra cultura hipoteticamente mediterrânea, ou o que for, tenham construído no hipotético caso de que tivessem se estabelecido por aqui há 2000 ou 3000 anos, teriam que estar totalmente enterradas. E nesse caso são dificilmente identificáveis. Para piorar a perspectiva, essas eventuais ruinas podem ser confundidas pela população menos instruída,com jazidas naturais de material muito conveniente para construção, e estarem sendo destruídas sem percepção do que são. Portanto a ignorância trama contra elas. Guardadas as proporções, foi o caso dos sambaquis que na maioria serviram como jazidas de cal para as construções coloniais. Também levanta-se a hipótese de que certos monumentos que posam ter existido no território nacional tenham sido destruídos propositalmente na fase de colonização, por receio de que alguma outra potencia estrangeira pudesse alegar uma anterior chegada a estes territórios. Nesse caso , quanto mais sofisticado um monumento mais politicamente ameaçador seria. Como aconteceu com o chamado cavaleiro da ilha do Corvo, estatua equestre que ali foi achada, e cuja origem Portugal não conhecia. Paro por aqui porque estes assuntos dariam um capitulo mais.
Agora entramos na incógnita da ruina de Palmeiras , em Natividade da Serra.
Aqui,o aparente calçamento em palmeiras encontrado, e escavado brutalmente, em 2003. Na foto da direita o sitio de Gunung Padang em Java , note o calçamento, e ate o espaço cerimonial entre muros rústicos. O material usado nos dois locais é o mesmo basalto, e usado de maneira muito similar. Ouvi relatos de testemunhas que conheciam o local antes de destruído e disseram que em Palmeiras havia pedras fincadas, também.
Comecei a me envolver com este assunto a partir de 2012 , em função de umas poucas, porem instigantes fotos divulgadas na internet, naquele ano. Sendo arquiteto e trabalhando na área de patrimônio cultural há 40 anos, com o agravante de que já militava na área de arqueologia antes mesmo de ser arquiteto, quando era aluno e amigo dos arqueólogos que fundaram a Sociedade Brasileira de Arqueologia, consequentemente não pude deixar de surpreender-me com este achado. Achado que exigia investigação ampla, mas que infelizmente não aconteceu, como passo a explicar a seguir, e onde detalho todos os acontecimentos relacionados.
Visitei o local cinco vezes sendo a quarta vez nos dias 16, 17, 18 de junho de 2014 , fizemos mais observações em campo, apurando fatos e antecedentes. Este relatório compila tudo o que pode ser recolhido também nas visitas anteriores, feitas em janeiro de 2012, outubro de 2013 e março de 2014.E ainda fiz uma quinta visita mas que não permitiu maiores investigações, em função do mal tempo. Estas visitas tiveram uma duração de três dias cada, somando 14 dias de observações e levantamento de fatos relacionados. Porem como estamos fazendo uma investigação sem apoio de ninguém ou de qualquer organismo foi impossível fazer prospecções maiores que possam mostrar alguma parte de estruturas existentes, e muito menos podemos contar com apoio do proprietário da terra, Sr. Carlos De Fraia, que insiste em ocultar todo o achado e o acontecido naquele local. O trabalho de ocultamento continua a ser feito ocasionalmente. A vegetação, e o capim, estão sendo deixados crescer sem controle para dificultar a identificação e localização dos blocos. Para obter maiores resultados, só fazendo escavações teste.
Pelo que podemos concluir parcialmente ate o momento, ali existiu uma população que construiu estruturas de alvenaria de pedra sem argamassa , inclusive aparelhando blocos e lajes de forma regular, usando também blocos em bruto. Fato que não tem, ao menos, antecedentes registrados na pré-história brasileira. O que se pode concluir ate o momento é de que pelo menos havia ali muros e pavimentações. Não poderia afirmar que houvesse estruturas mais complexas como edificações, em função da pouca pesquisa que se pode fazer ate agora. 
Foto aérea da extensão aparente do sitio, e foto geral da área de Palmeiras. Uma boa analise morfológica desta parte pode nos dizer muita coisas do seu passado. O sitio está situado na extremidade esquerda onde o açude vai diminuindo.
Estes aparentes vestígios de construções, estão espalhadas por uma área de no mínimo, 40.000 m2, havendo restos de blocos mais aparelhados concentrados principalmente em uma colina que domina o vale. A extensão total da área de interesse arqueológico possivelmente é maior.
Ao que parece trata-se de um fato novo no panorama da arqueologia nacional, uma vez que nunca foi registrado algo similar, o que não quer dizer que não tenha existido, ou então possivelmente não chegou a publico.
O que se evidenciou em Palmeiras, evidentemente incomoda alguns setores acadêmicos e organismos que deveriam interessar-se, mas não querem ter trabalho. Inclusive porque arquitetura pré-colombiana ou pré-cabraliana (como preferem oficialmente) com estruturas de pedra não existe oficialmente no Brasil, é um assunto que os pesquisadores não costumam desenvolver, não conhecem. A ênfase arqueológico no Brasil fica no estudo das tradições cerâmicas, material lítico, e ossos. Tudo isso coloca o assunto de Palmeiras em segundo plano. Partir de princípios teóricos para negar-se a investigar o assunto é um ato irresponsável quando se está diante de fatos que exigem maior certeza.
Antecedentes do caso e acontecimentos preliminares
O vale onde está situada a área é um dos maiores das redondezas. Analisando a antiga e provável geografia, verificamos que no passado havia um grande lago ligado ao rio Paraibuna que evidentemente tinha um volume de agua muito maior e ocupava um leito muito mais amplo. A área onde hoje está a sede da fazenda, era uma ilha. A população que possa ter habitado o sitio, em época pré-colombiana ocupava a margem desse lago junto a uma cachoeira e evidentemente tinha uma boa base de sustento na pesca.
Em 2003 após anos de retirar pedras das proximidades da fazenda, o proprietário do local topou com aparentes muros e pavimentações que estavam enterradas na base de uma colina, nos fundos do vale. Estas aparentes ruinas em bom estado estavam enterradas a 1.5m de profundidade
Infelizmente com curiosidade primeiro, e ideias de ganancia depois, o proprietário, escavou e destruiu uma parte dos achados tais como um calçamento, e um muro de alvenaria de pedra sem argamassa. No local existiam amontoados de blocos de pedra, em grande parte aparelhados em formas regulares. Justamente por isso estiveram durante anos retirando os blocos para usar nas construções da área sem o menor critério e ignorando que aquilo fosse uma ruina muito antiga. Na igreja do local também foram usados esses blocos para fazer suas fundações, 40 anos atrás.
Eis a pequena igreja do local cujas fundaçoes foram feitas com blocos do local , a maquina que escavou o sitio em 2003, e um aspecto da escavação feita em 2003, onde se observa claramente que a colina não é um afloramento rochoso, e muito menos uma jazida de basalto.Mas percebe-se que o terreno foi escavadop ate o solo virgem na ansia de buscar algo.Na ocasião o terreno foi previamente queimadopara localizar os melhores blocos .
Por estas fotos de 2003 pode-se calcular a devastação feita e como os vestígios foram apagados, nos barrancos que vemos havia muros, e na segunda foto vemos os restos de um calçamento que prolongava-se para o fundo onde foi integralmente destruído. Parte dele ainda está nesta parte mais na frente, mais ou menos enterrado, porem visível. Na ultima foto, o professor Luiz Galdino, quando visitou o local, mostra um dos blocos que compunham um dos muro ou o calçamento. Atrás dele à direita vemos o tamanho da escavação que chegou ate o terreno virgem. Prestando atenção e aumentando a foto vemos à direita da foto e embaixo, outro bloco de talha regular
A destruição já vinha sendo feita há muitas décadas , mas nos últimos 30 anos, quando o atual proprietário comprou a área, passou a usar todos os materiais que eram vistos à flor da terra para suas obras e no hotel fazenda. Hoje, para achar blocos e lajes talhadas em padrões ortogonais é difícil, e para quem não é experiente no assunto pode parecer não haver nada, só escavando vai acha-las. Por isso, para evidenciar maiores vestígios é preciso fazer escavações. A maior parte do sitio deve estar soterrado. Quem sabe parte dele se salvou, por enquanto.
O estranho é que o proprietário teve formação em filosofia na USP e escreveu livros, portanto seu nível de instrução seria suficiente para entender que, muito provavelmente, ali, houve construções muito antigas. Em particular já disse que aquilo é algo muito antigo. Inclusive porque teve acesso a muita coisa achada e que não ficamos sabendo. Em certa comunicação telefônica disse-me : “Aquilo é coisa da época dos faraós”. Mas continuou a retirar e usar os materiais sem maiores questionamentos, nem fez nenhuma comunicação aos organismos ligados ao patrimônio nacional, quando ainda seria conveniente , Somente comunicou algo, quando já havia escavado e demolido parcialmente os muros e enterrado suas bases com o uso de uma pá escavadeira. Quem veio depois, ver algo , não viu nada.
Em 2003 a retirada de materiais chegou a um ponto onde apareceu um calçamento e um muro enterrados a mais de 1.5 m. O antigo capataz da fazenda descreveu-me também uma escada estreita no meio de um dos muros . Segundo testemunhas que trabalharam nessas escavações da área, eram retirados de preferencia os blocos mais regulares em forma de lajes e blocos ortogonais. Segundo as testemunhas, chegaram a ser retirados mais de 80 caminhões de pedras para uso na fazenda em diques muros e outras estruturas , que podem ser vistas no local.
Em 2004 o assunto cresceu e algumas fotos foram parar no INPE em São José dos Campos, ocasião em que entrou no caso o jornalista cientifico Julio Ottoboni que trabalhava nessa instituição, ele fez três ou quatro visitas ao local e redigiu um artigo para o jornal Gazeta do Povo, de Curitiba. Editado no dia 29 de fevereiro de 2004. Infelizmente o artigo interpretava o assunto como o achado de uma pirâmide no Brasil. Uma visão apressada do assunto, possivelmente sugestionada pelo momento, pois naquela época havia estourado o caso das pirâmides da Bósnia.
Como entrei em contato com este jornalista pude levantar mais detalhes dos acontecimentos . A observação mais intrigante que ele me passou, foi a de que ele viu uma parede muito bem feita de blocos de pedra, que inclusive avaliou em um metro de espessura, perguntei-lhe se não tinha fotos dessa parede dize-me que não tinha, mas que poderia haver no arquivo da Gazeta do Povo. Solicitamos essas fotos, mas vieram poucas, e nenhuma interessante para minha analise. Após isso o geólogo do INPE , Paulo Roberto Martini visitou o local , mas já tudo havia sido ou desmontado ou enterrado e pouco viu , mas mesmo assim fez um informe atestando a raridade das poucas coisas que pode ver. Aconteceu um fato curioso após esta reportagem de Julio Ottoboni. Nela, há declarações do arqueólogo Plácido Cali de São José dos Campos onde se diz surpreso com o achado e faz varias declarações considerando a autenticidade das ruinas. Está lá na reportagem para quem quiser ver. Falei com este arqueologo por telefone e me disse não saber nada do assunto e nunca ter estado em Palmeiras. Ano retrasado este arqueólogo ameaçou o jornalista de processo por ter publicado aquilo. Perguntei a julio Ottoboni se o arqueólogo havia dito aquilo e me confirmou , mais de uma vez que sim. Falando uma vez por telefone com o proprietário e citando o nome do arqueólogo Plácido Cali , vi que ele rapidamente o lembrou de algo...
Interpreto o caso como que estes arqueólogos não tem certeza nem interesse nesse tipo de sitio por não ser sua área principal de pesquisa pela própria , e a postura oficial em relação ao assunto. Portanto área minada para eles.
Durante os últimos 20 anos retiraram pedras do local com intensidade constante. Junto à sede do hotel fazenda, há muros de 4 metros de profundidade escorando as margens do açude e feitos com pedras do sitio.
Blocos e lajes retirados do sitio usados em diques e ponte. E o que se vê aqui é uma parte ínfima dos 80 caminhões retirados do sitio. Os blocos, são, tanto naturais típicos da formação pela desagregação do basalto , como outros com claras regularizações por polimento.
A partir do descobrimento do calçamento e do muro, o trabalho ficou tão intenso que alguns trabalhadores chegaram a desistir pelo pesado da tarefa. Blocos eram rolados do alto da colina principal para onde pudessem ser retirados pela pá escavadeira. Nas encostas mais íngremes era usada uma junta de bois para retirar os blocos. Tudo me foi contado pelo antigo capataz da fazenda que ali trabalhou, Ivair Teixeira. O ritmo era tal, que praticamente todos os homens e rapazes de Palmeiras trabalharam na empreitada durante algum momento.
Nessa tarefa, parte do calçamento foi destruída ficando uma parte visível ainda, mas fizeram tal escavação nesse local que apagaram qualquer vestígio da ruína chegando ao terreno virgem. Nesse local pode-se ver um barranco de mais de 3 m. Na expectativa de que atrás do muro houvesse algo de valor, o destruíram e levaram as pedras, ficando a parte inferior que foi enterrada posteriormente assim como o calçamento. É de imaginar quantos vestígios foram perdidos com uma pá escavadeira trabalhando sobre esse terreno.
Apesar disso em baixo de um dos blocos regularizados foi achado um vaso de cerâmica que foi destruído ao ser retirado. E evidente que devia haver muito mais fragmentos de cerâmica, que nem foram notados. Todo o material escavado foi jogado ladeira abaixo onde hoje vemos um talude. Desconfio que embaixo desse talude há mais muros subsequentes que chegam próximo à margem do riacho.
Ao escrever este relatório lamentamos a falta de interesse , assim como a incapacidade generalizada de avaliar com o que se estava tratando. O antigo capataz Ivair Teixeira comentou-me que eles não tinham noção do que aquilo poderia ser, mas evidentemente o proprietário devia desconfiar. Porque tirou dezenas de fotos e fez filmagens, que ele não mostra. Há a informação de que vários sacos de alguns materiais foram levados para São Paulo. Mas só o proprietário sabe o que era.
Para justificar a enorme escavação feita e disfarçar todo o barulho que vinha tomando vulto, o proprietário montou uma simples estrutura com quatro madeiras, caibros de telhado de 8 m de comprimento em forma de pirâmide, e colocou embaixo um dos blocos achados, insinuando um altar, e passou a dizer que a intenção de tudo aquilo era fazer uma pirâmide de pedra. O que não tem a menor logica porque, poderia, e deveria, se fosse o caso, de faze-la , nas áreas planas do hotel, para onde levava as pedras. O curioso é que ninguém desconfiou do absurdo daquela afirmação uma vez que não teria sentido fazer a tal pirâmide a 800m do hotel quando tinha espaço de sobra em áreas mais próximas. Mas aqui entra outro fator. O proprietário é extremamente místico e tinha feito em 2003 uma viagem á Grécia e ao Egito. Logo após publicou um livro chamado “Cinirenaica”, romance histórico ambientado no Egito e na Grécia clássica. Livro que ele me mandou quando ainda nos falávamos, ao menos por telefone, e internet, depois as coisas nos colocaram em campos opostos .Ele não queria que ninguém tocasse no assunto da ruina e mandava seus empregados calar a boca. Mesmo assim, sem levar em consideração isso, visitei o local mais quatro vezes. Como ele mora em São Paulo , não tinha como me impedir muito de ir ao local .Curiosamente a primeira vez que fui , foi com a concordância dele, e ate nos hospedou no hotel.
Creio que foi feita uma primeira denuncia em 2009 ao Ministério Publico da destruição de sitio arqueológico, e a noticia saiu a publico, causando muitas visitas ao local. Inclusive da imprensa. Infelizmente quem recebeu a imprensa foi um empregado, Paulo Morais , que trabalha ate hoje na fazenda , quem acabou explicando as coisas de maneira a ficarem mais confusas. Dai saiu a historia da descoberta de uma “pirâmide“ em Natividade da Serra , somando à infâmia da destruição, uma aureola de fantasia. Já havia sido montada aquela estrutura com quatro paus dizendo que ali seria feita uma pirâmide de pedra. Então misturaram-se todas as informações truncadas criando uma serie de versões. A ignorância da maioria da população fez o resto, e nenhum organismo quis mais verificar o assunto no local. Isto aconteceu em 2004. A partir daí o assunto chegou a internet e para piora as coisas apareceu em um site que tratava de óvnis, mas graças a isso tomei conhecimento destas aparentes ruinas, ou das poucas fotos do pouco que restava.
O empregado da fazenda Sr. Paulo Morais na ocasião em que foi feita a reportagem em 2004, mostrando uma parte do que parece ser a ruina semienterrada, após haver sido aterrada novamente. Nessa ocasião, vários órgãos da imprensa estavam visitando o local, e este funcionário foi quem deu explicações. Pode-se imaginar o que saiu dali, e podemos entender porque o assunto tomou um rumo pouco serio. No entanto essa foto, pelo que pude analisar no local não mostra um elemento arquitetônico real e sim um afloramento natural de um bloco de basalto. Aproveito para ressaltar que é muito provável que formações naturais e mesmo também construções reais de blocos de basalto tenham criado um grande confusão sobre o assunto. O leigo não tem muita condição de diferenciar os dois tipos de ocorrências, ainda mais quando acontecem no mesmo local.
Como havia sido feita uma denúncia ao Ministério Publico de destruição de um sitio arqueológico este organismo convocou dois professores jovens da USP para ir ao local como peritos, eram os senhores Astolfo Gomes de Mello Araújo e José Carlos de Oliveira Reis, o primeiro geólogo de formação e o segundo antropólogo, os dois com pouca experiência em arqueologia especifica para o caso, que seria de arquitetura pré-colombiana. O problema é que este ramo não tem sido registrado oficialmente ate hoje na arqueologia brasileira. Evidentemente os dois já foram ao local com ideias preconcebidas de que tudo era bobagem.
Estiveram algumas horas no local e pouco puderam ver porque o proprietário havia enterrado tudo o que pode. Segundo o testemunho do antigo capataz Ivair Teixeira, que trabalhou em todo o processo, disse que haviam colocado muita terra encima, e que os restos do muro haviam ficado a quase um metro abaixo do atual nível. Esta informação ele me declarou mais de uma vez. Na superfície quase não se viam mais blocos talhados em forma regular. Nas conversas destes dois professores com o proprietário foi aceita a versão da tentativa de fazer uma pirâmide de pedra e os peritos aceitaram a tese de que se alguma forma pareceu ser obra humana seria por acaso pelas caraterísticas geológicas do local. No laudo feito para o M P constam essas observações. E o geólogo define as ocorrências como resultado da existência de “um grande conduto magmático”, ou seja, no caso um derrame de basalto. Na verdade o morro não é principalmente uma afloração de rocha basáltica , o que se pode constatar nos barrancos que ficaram após a escavação. Ha indícios que muitos blocos foram levados ate ali propositalmente em época muito recuada. Consequentemente se aceitarmos que ali foi construído algo similar a centros cerimoniais como os que vemos na região andina , teremos que admitir que isso só pode ter acontecido antes da chegada das tribos dos tamoios ao local, no mínimo .Uma vez que dificilmente se acontecesse o contrario, eles teriam permitido outra cultura ocupar a região. Nesse caso teríamos que aceitar que a ruína seria de uma antiguidade anterior a pelo menos o ano 500 D.C. Daí para mais. Avaliação que coincide com o que o Professor Luiz Galdino também opina.
Características dos blocos achados no local
Aqui iniciamos uma explicação sobre as características dos blocos encontrados no local. A imensa maioria dos blocos talhados são de basalto, ou a chamada ”pedra ferro”. O basalto é uma rocha vulcânica extrusiva que entre outras características costuma ter ate 8 % de ferro em sua composição.
A alegação generalizada de que, o que se veria no local seria apenas uma formação natural de basalto, não procede, porque as jazidas de basalto tem aspecto muito característico em formação principalmente de “disjunção colunar ”e se apresenta em massa compactas de pedras fraturadas em forma de colunas e blocos em grande parte de seção de perímetro hexagonal. Mas naturalmente não produz corriqueiramente peças com a forma de uma arquitrave (verga) ou de uma laje quadrada ou retangular de espessura constante ou quase. E estes tipos de peças havia em quantidade no local e ainda há enterradas.
Há blocos espalhados em direção ao açude e em áreas circundantes à colina principal em pequenos montes que sugerem terem sido restos de construções. Há pedras em bruto que possivelmente podem ter feito parte de muros ciclópicos e hoje se apresentam amontoadas em vários locais. No sopé da colina temos algumas elevações do terreno onde parecem ter havido pequenas construções.
Os blocos de basalto pela sua forma tem sido usados no passado em muitos lugares do mundo para construir com a forma que já vem da jazida . É o caso de Nan Madol , ilha de Pohnpei, presentemente parte dos Estados Federados da Micronésia, onde as colunas naturais de basalto foram montadas para fazer muralhas. O mesmo caso de Gunung Padang em Java,e em outros locais, Na ilha de Pascoa os ”moais” foram esculpidos em basalto com apenas cunhas do mesmo material. Na América do Sul, nos Andes usou-se o andesito que é um similar. Os poucos blocos que podemos ver em Palmeiras , lembram-me o mesmo tipo de acabamento que os da ruina de Poro Poro, no Peru, centro cerimonial da cultura Chavin datando de 1000 A.C.
Construção muito antiga em Nan Madol , Pohnpei, Micronésia, usando blocos de basalto colunar. Ao lado blocos naturais de basalto com formas exdruxulas naturais, retirados do sitio em Palmeiras sendo que o do meio é nitidamente uma laje talhada, não natural. Foram colocados como decoração em uma das casas da vila. Na direita fotos de jazidas naturais de basalto, que as vezes são tomadas por construções pelas pessoas menos avisadas. A foto mais à direita é de uma formação em Caxambu do Sul e que foi classificada como “possivel pirâmide inca “, na verdade é apenas uma jazida de basalto apresentando sua caracteristica formação em disjunção colunar e de onde foi retirado material.
Formação de basalto em disjunção colunar e fragmentando-se em blocos, na Irlanda tendendo a um perímetro hexagonal, e ao lado outra jazida muito característica em disjunção colunar, no Brasil. Na foto da direita podemos observar a oxidação superficial que o basalto sofre como o tempo de exposição. Este é um pedaço do basalto de Palmeiras.
A escolha do basalto mostra que esses blocos não foram resultado de trabalho colonial porque o basalto não era usado preferencialmente pelos portugueses por ser muito mais duro que o granito. Se bem que nas ilhas vulcânicas do Atlântico tiveram que usar o basalto porque era o material mais abundante ,ou ate único no local. Mas não é preciso entrar em especulações sobre se são restos de trabalho colonial ou não porque a talha dos blocos nunca foi colonial, e só observar as superfícies.
O granito tem uma dureza entre 4 e 5 na escala de Mohs e o basalto entre 4.8 e 6 nessa escala. Talhar basalto com ferramentas de aço, fazendo saltar lascas é muito difícil, dai ele ser trabalhado antigamente, pelo que sabemos, a golpes de cunha de pedra provocando um processo de desbaste, que posteriormente é terminado por polimento. Foi o que vimos em Palmeiras, e mesmo assim o trabalho nunca é elevado a uma terminação perfeita. No trabalho de desbaste antigo do basalto, com certeza entrava o uso de agua , areia e argila, para além da martelagem com cunhas e martelos( blocos de pedra arredondados) de pedras duras , e finalmente usar o polimento para desgaste. Pude observar que nos arredores da área do sitio há elevações onde o material é gnaisse, que seria material mais fácil de trabalhar e de uso comum no período colonial.
O basalto pode ser fraturado, sim, usando cunhas de madeira em buracos abertos anteriormente, umedecendo-as. Quando incham estouram a pedra da mesma forma que fazemos ate hoje com cunha de aço que são marteladas ate rachar os blocos de granito. O problema é conseguir fazer os furos para colocar as cunhas sem ferramentais mais sofisticadas. Mas o basalto tem a tremenda propriedade de ser encontrado já fragmentado nas jazidas e ser fácil de destacar os blocos.
Analise do tratamento que os blocos talhados achados no local apresentam
Examinando os poucos blocos de talha mais regular que ainda subsistem no local vemos que não tem o aspecto que apresentariam blocos talhados com ferramentas de aço, ponteira e talhadeira, o que seria mais difícil de fazer em basalto. Apresentam também uma camada de oxidação superficial que indica terem sido talhados há muito tempo, com certeza muito mais de 500 anos. Por este motivo tem uma cor amarronzada que quando lascada mostra seu interior cinza escuro, ou preto do basalto ainda não alterado. Os blocos não regulares, possível fruto de uso do material tal como foi retirado da jazida também tem esta camada de oxidação. No entanto, essa camada é diferente em blocos naturais sem tratamento, e muito menos espessa em blocos possivelmente talhados. Esse ponto é chave para dizer se um bloco foi talhado há muito tempo, ou foi usado sem desbaste algum.
Na época colonial trabalhava-se preferencialmente com granito ou gnaisse por serem menos duros e permitir mais facilmente sua talha e desbaste para obter formas regulares. Portanto aqui não estamos diante de um sítio “colonial” e muito menos diante de um trabalho de pedreiros dessa época. Achamos alguns tipos de peças que parecem seguir um padrão aproximado, a saber, blocos grandes, similares a vergas com mais de 1,50 de comprimento e 70cm de largura , espessura variando de 25 a 35 cm dando um peso aproximado de 900 quilos. Encontramos lajes de aspecto quadrado ou um pouco retangular e espessura de 16 cm. Estas lajes tem um peso médio de 160 quilos e aparecem blocos próximos a formas cúbicas com dimensões aproximadas entre 0.50x 0.60 xo.60 e peso aproximado de 400 quilos.
Notamos que suas arestas não seguem linhas retas regulares e tendem a ser arredondadas, aspecto oposto ao que se esperaria de uma talha colonial, em função do tipo de ferramenta e processo usado. Encontramos também típicos blocos sem trabalho, usados como foram achados na jazida , alguns mostrando sua origem na disjunção colunar do basalto assim como partes fragmentadas das colunas naturais de basalto. O bloco, por vezes, tem uma parte regularizada e outra não, possivelmente fruto do uso que tiveram se em pisos, escadas ou muros. Estivemos pesquisando os arredores tentando localizar um afloramento de basalto, e ficamos sabendo que na propriedade do Sr. José Eugenio que faz limite com o lado Norte da Fazenda Palmeiras haveria uma afloramento. Mas este senhor, quando perguntado mais incisivamente sobre o assunto disse que não permitiria nossa entrada na sua propriedade, com o intuito deliberado de contrariar-nos. De qualquer forma pensar em achar a jazida de onde vieram os blocos do sítio arqueológico é uma tarefa complicada porque se este sítio for muito antigo, esta jazida que poderia ter fornecido o basalto, dependendo de sua posição, pode estar muito soterrada. Mas tenho também a desconfiança de que a jazida de onde vieram os blocos ficava ali mesmo , no sitio ,e facilitou seu uso. Ressalto que todos estes observações sobre o uso dos blocos são exatamente as mesmas que podemos ver em Gunung Padang, Java.
Provável forma de trabalho na talha dos blocos de Palmeiras
Seria o processo tradicional pré-colombiano. Apicuamento inicial com cunhas de maior peso, regularização da superfície com martelagem com pedras menores, e se necessário polimento com areia, argila e agua , utilizando outras pedras como ferramenta. De forma alguma os blocos foram talhados com ponteiras e talhadeiras de aço. Teriam outro tipo de superfície e outra terminação de arestas, e nunca estariam com aquela oxidação superficial acentuada, considerando que seriam menos antigos. .
Processo de talha provável dos blocos. Seria o método tradicional pré-colombiano. As pedras da foto direita seriam usada para desgaste por fricção com areia, argila e agua.
Blocos com a aparência de terem sido usados assim como saíram da jazida , isto é, não foram aparelhados.
Estas fotos mostram claramente blocos de basalto tal como saíram da jazida, porem deslocados para o local do sitio e certamente foram parte de construções.
Blocos tal como vieram da jazida . No entanto na foto da direita estão formando um alinhamento e no local nota-se a elevação do terreno como de uma antiga construção. Esta formação da ultima foto, assim como outras, estão no que seria a margem do antigo lago.
Na foto à esquerda, umo bloco de Palmeiras , que mostra a mesma formação dos da jazida vista do lado, tendendo para uma seção de perímetro hexagonal, típica apresentação do basalto. Mas aqui fica claro que foi usado em uma construção na ladeira da colina , e ressalto que em nenhum local da colina vemos formações naturais maciças como as das fotos na direita. Ou seja os blocos não estão em conjuntos onde se apresentam em um mesmo padrão como acontece em uma jazida. Em Palmeiras achamos blocos de mais de um tipo de jazida de basalto, considerando suas formas.
Lajes que há ou havia no local
Mais lajes quadrangulares com espessura media de 16 cm. As da primeira foto já foram levadas embora.
Tem gente que sem conhecer o assunto diz que tudo isto são resto de obras da falida ferrovia Ubatuba Taubate , obra tentada, começada, e abandonada em 1892 mas a ferrovia nem chegou ali. O aspecto das pedras como já dizemos nem de longe se assemelha à talha colonial ou moderna. Mesmo assim essa opinião da possibilidade de serem restos das obras da ferrovia foi a do arqueólogo Wagner Bornal , mas ele não esteve no local, e suas observações não podem ser levadas em conta.
Blocos que há ou havia no local
Blocos que podem ser vistos ainda no local. O primeiro tem grande parte dele sem talhar, mas evidentemente foi usado em um muro ciclópico, seu peso anda pelos 800 quilos, o segundo tem uns 400 quilos e o terceiro mais de 900 quilos. Na ultima foto, ao fundo, pode ser vista a escavação enorme, e destrutiva, efetuada em 2003.
Na primeira foto, embaixo, vemos uma alvenaria de pedra seca no Peru, pertencente à fase incaica, compare com o bloco do centro, um dos achados em Palmeiras, note o acabamento polido e arredondado das arestas . Na terceira foto vemos parte do calçamento e blocos que foram levados para a fazenda. Nos fundos a escavação realizada sem maiores cuidados. E repare a regularidade do que o que restou do calçamento.
Mais blocos, em parte aparelhados, e em parte brutos.O da ponta esquerda me intriga porque apesar de fotografa-lo , quando voltei outra vez para examinar todo seu volume não consegui acha-lo. Alguns são naturais , o que não quer dizer que alguém não os tenha trazido para esta colina e usado assim mesmo.
O interior dos blocos é cinza escuro, cor do basalto e na superficie alterada pela idade a oxidação torna-o amarronzado, o que poderia tambem mostrar uma possivel grande idade de sua talha original, mas que pode causar confusão entre blocos naturais e talhados muito antigos.
Podemos imaginar que estas ruinas estiveram séculos sendo desmontadas por uma floresta tropical que ali existiu, tudo está fora de lugar e nas presentes circunstancia fica difícil especular sobre sua forma arquitetônica original. Pelo que pudemos concluir o local sofreu inundações e ate trombas d’água vindas da cachoeira que fica acima, em mais de uma ocasião, o que desmontou e enterrou mais os vestígios. E admitindo que ali na frente havia um lago alimentado pelo Rio Paraibuna , eventualmente houve inundações . Tudo isso enterra e desmonta mais o aspecto original do que ali possa ter havido.
Considerando que a urbanização mais identificável estava em uma colina, podemos avaliar que haveriam muitos muros de arrimo, porque seria a única forma de dar estabilidade ao local. Estes muros de arrimo podem ser feitos com pedras irregulares sem problemas, mas uma vez desmoronados só veremos um monte de pedras que o leigo dirá ser uma formação natural.
A escolha, o uso, e os processos de talha destes materiais deixam claro que podem ser de uma origem pré-colombiana, similar ao uso em outros locais da América do Sul. Que nunca tenha sido registrado algo similar por estas paragens , é outro problema.
A colina principal em Palmeiras e ao lado o inicio das escavações em Poro,Poro(Peru), que mostravam pouquissimos vestigios do que havia enterrado la. Na superficie praticamente não se via nada.Traduzindo, onde parece não haver nada, há muita coisa.
Sítios com localização e tipo de construção que pode ser similar a Palmeiras situados no Peru , observe-se o amontoado de pedras resultado do desmoronamento de muros. O da esquerda é do período incaico, tem uns 500 anos, e o da direita (Poro Poro ) tem 3000 anos, estando totalmente enterrado.
Uma escada em Poro Poro (Peru ), e uma formação parcialmente escavada em Palmeiras. A forma de tratamento dos blocos é idêntica. Infelizmente não pude localizar estes blocos da esquerda especificamente.
Os amontoados de blocos , possiveis restos de muros ciclopicos na base da colina.Mas muitos desses blocos foram rolados durante a escavação de 2003.
Restos de aparentes estruturas ainda visíveis
O bloco da foto da esquerda e o mesmo que aparece na ponta da foto da direita
Aparente resto de muro aparelhado soterrado no barranco. Apenas a posição ligeiramente inclinada dos blocos não estaria de acordo com uma colocação logica para uma construção ,que deveria ser perfeitamente horizontal. Pessoalmente acho que estas formações são naturais com exceção do bloco quadrangular, e que o que restou está enterrado mais à frente, junto ao pavimento.
Restos do calçamento que estava enterrado e croquis das pedras subsistentes desse calçamento
Croquis que conseguimos fazer de uma parte dos blocos na primeira visita , quando o mato estava menor, na primeira visita ao local e pude verificar que não tem nada a ver com uma formação natural de basalto onde os blocos apesar de estarem alinhados ficam colados uns aos outros. Além disso este pavimento está horizontal regular. Também há pedras de diversas dimensões numa mesma fileira o que não aconteceria se aqui fosse uma formação natural de basalto em disjunção horizontal, onde os blocos em geral apresentam uma idêntica seção transversal. E como ultima observação temos que dizer que uma formação natural de basalto tem seus blocos praticamente colados uns aos outros, uma vez que são resultado da fragmentaçãoem uma mesma massa de rocha.
Aspecto do calçamento quando da escavação em 2003. Evidentemente que como não sabiam nem o que estavam fazendo, ao achar o calçamento, não pararam nele, continuaram a escavar entre os blocos retirando as pedras menores que o completavam. À direita vemos como se encontra agora o que sobrou dele, novamente enterrado e coberto de mato. Esta foto mostra a intenção clara de que houve planejamento na feição desta pavimentação, alinhando os blocos com sua face mais plana para cima e colocando as peças com sua maior dimensão na vertical de forma a dar mais firmeza, dada a natureza barrenta do solo. Com relação ao muro achado não conseguimos fotos, mas o proprietário tem. O muro que havia perto desta pavimentação teve a mesma sorte, quando o acharam o demoliram para ver o que havia atrás. Ora, atrás de um muro de arrimo, normalmente só há terreno virgem. Ou, se houve cuidado na sua construção, foi feito um aterro com propriedades de drenagem, isto e com pedras maiores embaixo e menores mais em cima arrematando com cascalho mais fino. Mas não há como saber isso agora.
Curiosa concentração de blocos de cristal de quartzo na parte mais baixa do sitio
Há muitos blocos de cristal de quartzo de grandes dimensões, e havia muitos mais que foram levados para a sede da fazenda. Não podemos especular se há um afloramento deste material ali, ou foram concentrados para algum uso na época da existência da população que parece ter habitado o local. É normal encontrar pontas de flecha feitas de quartzo nos registros da arqueologia brasileira, e na região.
Blocos de cristal de quartzo no sitio e os blocos levados para a sede da fazenda formando um circulo
Pontas de flechas de quartzo achadas do outro lado do rio Paraibuna frente ao sitio.
Possíveis utensílios localizados em prospecções superficiais no topo da colina principal.
Foram recolhidas algumas peças de formas sugestivas mas só se poderá ter certeza de fato se são utensílios ou ferramentas com o achado e localização exata de mais peças similares em escavações técnicas apropriadas. Todas as peças são de basalto, .mas havendo sido limpas por método não profissional , não é possível ter certeza de que toda sua superfície não possa ter sido alterada acidentalmente.
Aparentes cunhas de trabalho, todas em basalto. A da primeira foto tem uns 16 cm de comprimento, e a maior embaixo, na foto do meio, tem uns 30cm. Na foto da direita vemos uma cunha de basalto usada nos ”moais” da ilha de Pascoa, que são todos talhados nessa mesma rocha vulcânica .
Estas duas pedras aparentemente tem petróglifos, mas haveria que achar mais para comparação e fazer um exame tipológico profundo. Estavam cobertas de oxidação assim como os possíveis utensílios, tem uns 15 cm de comprimento. Como não foram limpas por um método profissional adequado há algumas marcas que podem ter acontecido na limpeza. Ao que tudo indica há muitas mais enterradas no topo da colina.
Caminhos de atuação possíveis
Se algum organismo federal, estadual ou municipal não assumir o reconhecimento e a proteção do sitio, dificilmente acontecerá algo positivo. Após isto seria desejável que alguma universidade se interessasse pela sua pesquisa. O assunto vem irresponsavelmente sendo deixado de lado há 10 anos, a sabor de especulações sem base em necessárias observações locais.
O proprietário teria que ser chamado a colaborar com a pesquisa. Os empregados que trabalharam ou trabalham ainda na fazenda tem muito a contar. Alguns não o farão de boa vontade por estarem compromissados com o proprietário, mas há outros que sabem o que ali havia e relatam sem maiores problemas os fatos acontecidos, além de saberem detalhes e localização dos vestígios anteriormente achados. O proprietário mostra atitudes dúbias. Não quer evidenciar o sitio, mas fez uma certa vista grossa em relação a nossa pesquisa, que foi começada com a sua licença, ocasião em que nos prontificamos a passar-lhe todas as informações que recolhêssemos. Aparentemente ignorou a nossa ajuda mesmo não havendo qualquer ônus para ele. Estive em Natividade da Serra tentando levantar o interesse da prefeitura , mas nem se mexeram , ignoram o assunto, apesar de ter-lhes mandado vários informes.
O descalabro da arqueologia em Natividade da Serra
O assunto de Palmeiras me pôs em contato com acontecimentos gerais sobre a região, fiquei sabendo de varias coisas, entre elas sobre um sitio arqueológico no local chamado “Sitio São Sebastião”, no bairro da Marmelada, próximo de Palmeiras, ali existe uma área arqueológica com cemitério indígena ,e muita cerâmica, mas que foi aterrada por medo a que os vestígios pudessem trazer problemas ao seu proprietário antigo, agora falecido. O interessante é que parte da cerâmica ali achada era diferente da Tupi-guarani, era mais grossa, segundo uma arqueóloga que trabalhou ali junto com outra que me passou as informações. Além disso, nesse local existe a chamada “terra preta de índio” , terras fertilíssimas em função da ocupação de populações pré-colombianas por gerações , adubando a terra consciente e inconscientemente. Essas terras são identificadas pela quantidade de restos arqueológicos que se encontram nelas. Ate hoje o atual proprietários da terra colhe maracujás de 1 quilo e mandiocas de mais de 40 quilos, e outros produtos. Infelizmente uma pesquisa que estava em andamento anos atrás, foi abortada com a expulsão da equipe pesquisadora ate com ameaça de armas. Isso me foi contado por uma arqueóloga que participava, e não quer que mencione seu nome, pois ficou muito assustada com o acontecido. Trocamos varias informações, e ate combinamos ir a Palmeiras, mas não foi possível. Existe uma ignorância e ao mesmo tempo um temor compreensível pela interferência da burocracia do IPHAN, e muita coisa achada não é notificada. Uma pessoa que trabalhou em pesquisa na região de Natividade da Serra disse-me que na ocasião dos fatos relatados acima , a U.S.P. não queria abrir uma nova área de pesquisa porque estava voltada totalmente para pesquisas no Pontal do Paranapanema, e menosprezou Natividade da Serra.
Independente disso, Na região de Natividade da Serra é frequente encontrar material lítico de origem diversa, machados, pontas de lança, de flecha, e cerâmica. Vários contatos que estabeleci ali me passam informações ate de aparentes ruínas de sítios cerimoniais no meio da mata.
Ano passado fui à capital do município por duas coisas, investigar uma formação circular curiosa que apareceu no Google Earth, e levar um informe ao prefeito Benedito Carlos de Campos Silva, e a câmara municipal local , o que fiz. Entreguei o informe ao secretario do prefeito, Evail Augusto Santos. Conversei com o presidente da câmara municipal, em exercício sr. Zico Caetano Santos , ao qual também dei um informe. Mas este presidente da câmara disse claramente ser muito amigo do proprietário da Fazenda Palmeiras, e logicamente não ia querer levantar celeuma contra o seu conhecido. Não deu em nada, inclusive porque o Município é carente de qualquer infraestrutura de patrimônio histórico, e eu diria que não há interesse cultural oficial quanto a esse setor apesar de que o atual prefeito ao assumir declarou que turismo seria uma prioridade dele. Para quem não sabe, patrimônio arqueológico é um grande enriquecedor do turismo desde que inteligentemente explorado. Quanto à formação curiosa que fomos investigar, aparece nas fotos, na de 2014 muito clara, e na de 2015 bem difusa, quase imperceptível. Fizemos contato com um conhecido em Natividade da Serra, capital, e ele entrou em contato com o dono da fazenda , o sr. João Durvalino que nos permitiu ver o local. Estivemos verificando a superfície do terreno , mas sem aparelhos nada pudemos levantar , se há algo ali que modifica a percepção vista desde grande altura, está bem enterrado. A última informação que tive do local, era de que estava em negociação a tentativa de alugar o terreno para fazer um lixão da cidade pois esta praticamente colado a ela , apenas tem o inconveniente , enorme, de que fica á margem de um rio que vai para a represa de Paraibuna (!?)
Ano passado fui à capital do município por duas coisas, investigar uma formação circular curiosa que apareceu no Google Earth, e levar um informe ao prefeito Benedito Carlos de Campos Silva, e a câmara municipal local , o que fiz. Entreguei o informe ao secretario do prefeito, Evail Augusto Santos. Conversei com o presidente da câmara municipal, em exercício sr. Zico Caetano Santos , ao qual também dei um informe. Mas este presidente da câmara disse claramente ser muito amigo do proprietário da Fazenda Palmeiras, e logicamente não ia querer levantar celeuma contra o seu conhecido. Não deu em nada, inclusive porque o Município é carente de qualquer infraestrutura de patrimônio histórico, e eu diria que não há interesse cultural oficial quanto a esse setor apesar de que o atual prefeito ao assumir declarou que turismo seria uma prioridade dele. Para quem não sabe, patrimônio arqueológico é um grande enriquecedor do turismo desde que inteligentemente explorado. Quanto à formação curiosa que fomos investigar, aparece nas fotos, na de 2014 muito clara, e na de 2015 bem difusa, quase imperceptível. Fizemos contato com um conhecido em Natividade da Serra, capital, e ele entrou em contato com o dono da fazenda , o sr. João Durvalino que nos permitiu ver o local. Estivemos verificando a superfície do terreno , mas sem aparelhos nada pudemos levantar , se há algo ali que modifica a percepção vista desde grande altura, está bem enterrado. A última informação que tive do local, era de que estava em negociação a tentativa de alugar o terreno para fazer um lixão da cidade pois esta praticamente colado a ela , apenas tem o inconveniente , enorme, de que fica á margem de um rio que vai para a represa de Paraibuna (!?)
Vista do circulo em 2014 , a formação é vista exatamente acima do 08, e na foto abaixo o levantamento de 2015, muito menos nítido. Nas fotos mais, abaixo aspecto do terreno , que como seve não tem nenhum acidente superficial. Somente com equipamentos tipo GPR e similares seria possível localizar algo. O circulo parece ter aproximadamente 30m de diâmetro.
Este informe o fizemos por iniciativa própria, por ter consciência do que está sendo perdido se a apatia, e o desinteresse geral persistir. Esta investigação está nos custando recursos e tempo, temos fornecido muita informação, e mesmo assim ninguém mostrou interesse em aprofunda-la Mandamos um relatório ao IPHAN-SP com 40 fotos, e nunca se dignaram a responder , finalmente quando o jornalista José Maria Tomazella do jornal “O Estado de São Paulo” quis fazer uma reportagem sobre o assunto, caiu na besteira de primeiro pedir informação a essa diretoria regional que por telefone apenas, disseram para ele que não havia ruina alguma, e nem havia sitio arqueológico no local , matando o interesse do jornalista que foi desestimulado pela sua chefia a continuar o assunto. Consumando demonstração de desinteresse , e soberbo pedantismo acadêmico.
Diante de toda essa situação entrei com uma representação no MP na promotoria de Paraibuna pedindo uma investigação. Esta promotoria foi pedir informações a quem menos as tinha, ao IPHAN-SP, e a prefeitura, sendo que o IPHAN-SP já tinha posição tomada, negando tudo.
No final do ano retrasado, 2015, recebemos a comunicação do Ministério Publico de São Paulo, através de oficio, de que a investigação sobre a realidade do sitio arqueológico havia sido arquivada, com data de 7 de julho 2014. Entre outras justificativas que não eram mais do que repetições do laudo anterior de 2004, onde consideraram o relatório apresentado pelo geólogo Paulo Roberto Martini como sem valor, inclusive dizendo que ele não havia visitado o local , o que não era verdade. Desprezaram o geólogo ignorando o currículo que ele tinha, muito mais amplo do que o dos enviados ao local. O despacho do M. P. frisava que o pessoal técnico do IPHAN-SP haviam estado no dia 12 de dezembro de 2013 no local verificando os fatos, disseram ter feito ”pesquisa superficial”, classificaram nossos informes de” trabalho de leigo” e ainda ressaltaram que o relatório nosso , “nunca havia sido publicado em revista cientifica” (?!) Não sabia que para comunicar um sitio arqueológico, ao IPHAN-SP é preciso fazer isso . Esqueceram que o trabalho de identificação e pesquisa superficial de uma ruina se enquadra nas atribuições de um arquiteto, ainda mais se este tem formação básica também em arqueologia, esqueceram também que a maioria dos quadros do IPHAN é composta por arquitetos. Estive em Palmeiras três meses depois em março e como de praxe, converso com todas as testemunhas que trabalharam na escavação, e sempre pergunto se alguém esteve verificando algo. Ninguém se lembrava de alguma visita ao local. Concluo que se estiveram , mas nem tentaram falar com as testemunhas ,e que possivelmente não andaram nos locais certos , o que é quase infalível. Posteriormente soube que alguém andou por fazendo uma “visita de medico”
Mais uma vez, se fizeram, não investigaram o suficiente por falta de interesse e por não querer consumir tempo em algo que já estava decidido. Nitidamente estão tentando cobrir o caso com uma pretensa capacidade acadêmica que no caso lhes é insuficiente para resolver o assunto, Ironicamente os arqueólogos do IPHAN-SP, entre outros não tinham nem registro profissional como arqueólogos. Pessoalmente como arquiteto contesto a atribuição exclusiva de arqueólogos terem o privilegio de analisar uma ruina , e suas atribuições profissionais só há pouco tempo foram regulamentadas. Mais irônico ainda é o fato de que estamos tentando ampliar um campo de pesquisas que em ultima analise beneficia e enriquece a área de arqueologia.
Enfim, cada pais tem o patrimônio que merece.
Arquiteto e urbanista Carlos Pérez Gomar C.A.U. A 1337-4 , 25 de agosto, 2014
O autor do artigo :
Carlos Pérez Gomar é arquiteto formado pela FAU UFRJ em 1972 e pela Universidade da Republica (Uruguai) em 1989. Participou da antiga ABEPA Associação Brasileira de Estudos e Pesquisas Arqueológicas em 1969. Fez o curso básico de arqueologia no (C.I.A.) e de especialização no Instituto Superior de Estudos Humanos (I.S.E.H.) em 1976 com o núcleo de professores que formaram a faculdade de arqueologia da Universidade Estácio de Sá. Em 1977 foi colaborador permanente da revista ” Nheengatu, cadernos brasileiros de arqueologia e indigenismo”. Atua há 41 anos nas áreas de paisagismo, patrimônio cultural e arqueologia. Trabalhou em 34 projetos e obras de restauração fazendo projetos de restauro, prospecções arquitetônicas e arqueológicas no INEPAC, IPHAN-RJ e na Fundação Roberto Marinho entre outros . Foi um dos fundadores da Sociedade de Amigos do Parque Nacional da Tijuca em 1999 . Fundou com mais 17 membros, entre eles, o arquiteto Sergio Bernardes, o Instituto Pedra da Gávea em 1997. Exerceu a coordenação da Comissão de Meio Ambiente do IAB-RJ em 2000.É montanhista desde 1964. Havendo subido a Pedra da Gávea 460 vezes. Atualmente pesquisa arquitetura pré-colombiana sul americana.
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